quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

MAS QUE ANO!

O ano de 2016 foi pleno de emoções, sendo importante destacar alguns acontecimentos.
No início do ano, quando os portugueses ainda digeriam o anúncio de abandono de Portas do CDS-PP, Marcelo Rebelo de Sousa começa a dar “espectáculo”.
Saiu de cena um político perigoso, que conseguia encaixar várias personalidades, e que tinha uma ambição pessoal desmedida, e avança um homem num estilo descontraído e genuíno. A presidência de Marcelo está a ser, claramente, admirável, humanizando, acima de tudo, Belém.
Em termos de inaugurações de obras públicas, o Túnel do Marão foi, sem margem para dúvidas, o mais marcante. Era o sonho de uma região, que demorou inúmeros anos a ser uma realidade, e José Sócrates apareceu, na cerimónia de inauguração, a 7 de Maio, com um aspecto jovial.
No dia 10 de Julho, abraçado a um grupo de amigos, num bunker, cantei “A Portuguesa”. É verdade que ainda não coloquei um póster no quarto da minha filha, atrás da porta, de Ederzito António Macedo Lopes, mas ela sabe que “Ederbayor” proporcionou uma das maiores alegrias ao pai.
Em Outubro, António Guterres aguentou firme contra muitos, e foi o escolhido para secretário-geral da Organização das Nações Unidas. O mais alto cargo diplomático do mundo é extremamente exigente, mas a sua simplicidade e inteligência vão facilitar, com toda a certeza, a missão. No primeiro discurso, já mostrou ambição.
Pouco tempo depois, é enviada uma “bomba” dos Estados Unidos da América: Trump vence Hillary, e o mundo treme com a sua eleição. Só peço uma coisa: não deixem Trump, Putin e Erdogan sentar-se à mesma mesa!
O ano termina com outra bela notícia para os portugueses: o génio Cristiano Ronaldo conquista a quarta Bola de Ouro. Extraordinário!
Com Passos a apertar os parafusos da “geringonça”, tal é o desnorte e isolamento do líder do PSD, os primeiros meses de 2017 ainda serão marcados pela crise da Caixa Geral de Depósitos e pela realização das preocupantes eleições presidenciais francesas.
Num mundo pouco orientado e, por vezes, “cinzento”, terminarei o ano com uma boa acção. Vou recordar algumas palavras da excelente obra: “Três homens num barco”. Este livro, que foi publicado pela primeira vez em 1889, é da autoria de Jerome K. Jerome, um dos maiores vultos do humor inglês.

 “Fui ter com o meu médico. É um velho amigo que me sente o pulso, me vê a língua e me fala de como está o tempo lá fora, tudo de graça, sempre que julgo que estou doente; por isso, pensei que agora lhe iria fazer um grande favor se fosse ter com ele. “O que um médico quer”, pensei, “é praticar. Tenho de ir lá. Ele vai obter mais prática comigo do que com qualquer um dos setecentos doentes que o consultam regularmente apenas com uma ou duas doenças cada”. Fui então, de imediato, ter com ele, que me perguntou:
- Então, o que é que se passa contigo?
Eu respondi-lhe:
- Não te vou fazer perderes o teu tempo, meu caro, a contar-te o que se passa comigo. A vida é breve, e ainda podias morrer antes de eu acabar. Mas vou dizer-te o que não se passa comigo. Não tenho artrose dos joelhos. Por que motivo não tenho artrose dos joelhos, é algo que não te sei dizer; mas é um facto que isso não tenho. No entanto, tenho tudo o resto.”

A todos, um Feliz Natal e um Próspero 2017!

Comentário na "Rádio Alto Ave", e jornais "Geresão" e "Notícias de Vieira" (12/12/2016).

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

"UMA COISA LINDA"?!

Angelina Jolie e Brad Pitt separam-se, Bob Dylan conquista o Nobel da Literatura e Trump vence as eleições dos Estados Unidos da América (EUA). Este mundo é excêntrico!
E o que dizer dos prognósticos do criador de “The Simpsons”, Matt Groening, que previu, há 16 anos, Trump presidente? Lisa será a sucessora do multimilionário na presidência? É estranho ver a ficção e a realidade tão próximas.
Sabendo que tudo pode acontecer, no país onde um em cada quatro cidadãos acreditam que o Sol gira em torno da Terra (segundo um inquérito realizado pela National Science Foundation), um homem com pouca ou nenhuma substância, provavelmente sociopata, vai para a Casa Branca.
Adivinham com quem já estou preocupado? Com o nosso Guterres. Ainda nem assumiu funções, e já tem grandes dores de cabeça. Um exemplo: sabem o que pensa Trump, sobre as alterações climáticas? Que são “uma farsa criada pelos chineses”.
Numa América mais profunda do que se poderia imaginar, o presidente eleito pintou, frequentemente, o país de negro, lançou o medo e não se incomodou por ter perdido os debates. Teve, isso sim, a inteligência de atrair todos os focos de atenção, independentemente de ser pelas melhores ou piores razões. Assim, multiplicava o valor da sua marca e, quiçá, acabaria a presidente. Resultado: conquistou os dois cenários! Oh diabo!
Vamos ver como o país irá reagir com fracturas sociais tão expostas! Atitudes xenófobas e racistas foram o prato do dia da campanha.
E o que dizer do poder de hipnotização do seu estonteante penteado? Que o digam as mulheres americanas que votaram nele, depois de serem, vergonhosamente, humilhadas.
Ainda mais preocupante é verificar a aterradora escalada mundial do nacionalismo e do populismo, devendo-se, em parte, ao falhanço de tantos políticos e partidos moderados. Com Trump, Putin e Erdogan no poder, e quiçá, em 2017, também com Marine Le Pen, o mandato do republicano será mesmo “uma coisa linda”.
Como disse o velho Santiago para o passarito, no livro “O Velho e o Mar” (uma das obras-primas de Ernest Hemingway): “- Repousa à vontade, passarito. E, depois, vai, e vive a tua vida, como os homens, os pássaros e os peixes”.
Quase tão louco como construir um muro na fronteira com o México é prometer, no discurso de vitória, que a economia vai crescer o dobro. Cá para mim, além de Tony Schwartz (ghostwriter de Trump) ter posto “batom num porco”, também lhe ofereceu o livro de economia de George A. Akerlof e Robert J. Shiller: “À Pesca de Tolos”.
O que será o futuro dos EUA? Destruirá o Obamacare? Avançará com um alívio fiscal para a classe média? Vai rasgar o acordo nuclear com o Irão? Sei lá... Nem Trump saberá!
O republicano, que já foi um democrata, andou a ziguezaguear, mas não acredito que vá efectivar o radicalismo da campanha. Fez bluff quanto baste, e nem o Partido Republicano lhe irá deixar o caminho livre, para cometer todos os disparates.
Mesmo depois de tudo o que já foi escrito e dito, nunca esqueçamos que o multimilionário foi eleito democraticamente. Os meus parabéns, Mr. Donald Trump!

Comentário na "Rádio Alto Ave", e jornais "Geresão" e "Notícias de Vieira" (11/11/2016).

domingo, 16 de outubro de 2016

GUTERRES, UM ORGULHO PARA PORTUGAL!


Quem diria que, no ano de 2016, a minha filha deixaria de chorar, quando visse o Ruca; a nossa selecção nacional venceria o Campeonato da Europa de Futebol, e um português fosse escolhido para secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O que falta? Portugal tornar-se numa das maiores economias europeias.
O mais alto cargo diplomático do mundo irá ser, assim, ocupado por um homem que nasceu na Europa Ocidental.
Entrando nos bastidores desta eleição, ou melhor, nos mexericos, o jornal The Wall Street Journal declarou apoio a Vuk Jeremic, e as jogadas de Merkel, Putin e Juncker não resultaram.
Parece que Merkel nos traiu, sendo uma das pessoas que mais lutou para que Guterres não conseguisse vencer. Provavelmente, influenciada por um provérbio português: "As palavras são como as cerejas, vêm umas atrás das outras", procurou descarregar a sua verborreia, e influência, em alguns amigos para que vencesse a candidata Kristalina Georgieva. Uma curiosa coincidência: “Toni” passou grande parte da sua infância na aldeia de Donas, no Fundão (a cereja é a imagem de marca do concelho).
As manias da “superioridade” de algumas pessoas são repugnantes. Portugal é o país de José Saramago e a Alemanha é o país de Günter Grass. Portugal é o país de Egas Moniz e a Alemanha é o país de Albert Einstein. Portugal é o país de Cristiano Ronaldo e a Alemanha é o país de Franz Beckenbauer. Mas o próximo secretário-geral da ONU é português!
Depois desta vitória, a minha vontade é atravessar o Portão de Brandemburgo, vestindo uma camisola da selecção portuguesa, com o nome GUTERRES gravado nas costas.
Esta eleição é uma das maiores satisfações que algum dia poderíamos ter. É extraordinário ver o que conseguiu um candidato de um país pequeno no tamanho, mas grande na alma.
E, precisamente, no dia em que se assinalou a Implantação da República Portuguesa, a 5 de Outubro, sabe-se que, um dos nossos grandes republicanos irá ocupar um cargo tão prestigiante. Que feliz coincidência!
António Guterres foi Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados e primeiro-ministro de Portugal. É um homem inteligente, humilde e de diálogo, que facilmente constrói pontes, e o seu humanismo e reputação internacional fazem dele a pessoa certa para a liderança da ONU.
Os desafios serão imensos, ou não existisse a crise dos refugiados; o conflito na Síria; focos de preocupação na Líbia, Iraque, Iémen e Sudão do Sul; ameaça do terrorismo global, da islamofobia e dos nacionalismos populistas; programa nuclear da Coreia do Norte; alterações climáticas, ou o combate à pobreza. Mas estou certo de que, Guterres tem todas as capacidades, para responder com grandiosidade a todos estes desafios. 

Comentário na "Rádio Alto Ave", e jornais "Geresão" e "Notícias de Vieira" (10/10/2016).

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

UM OBRIGADO AOS NOSSOS "SOLDADOS DA PAZ"

    Com um verão na máxima força, e repleto de múltiplos incêndios que voltaram a destruir inúmeras áreas no nosso país, vou deixar uma pequena palavra de solidariedade para os meus heróis de carne-e-osso: os bombeiros!
Na minha viagem habitual até ao local de trabalho, atravesso a freguesia de Rossas, pertencente ao concelho de Vieira do Minho.
Pintada de negro, a freguesia foi constantemente colocada em alerta por causa do fogo, resultando num cenário dramático, vivido ao longo de vários dias.
Observei bombeiros vindos de Vila Nova de Famalicão, de Sesimbra. Nos momentos mais difíceis, nos momentos de aflição, os “Soldados da Paz” dão as mãos e mostram ao nosso país, que às vezes é perito na desunião, que juntos chegam mais longe.
Há uns dias, estava a correr e passaram por mim vários bombeiros. Sempre que isto acontece, tenho o hábito de levantar o polegar, no sentido de lhes dar ânimo, e assim o fiz.
Mas, ao mesmo tempo, pensei que este mundo é feito de contrastes ingratos, como alguém estar a desfrutar de uma corrida, procurando uma sensação de bem-estar físico e mental, e ver homens a progredir com toda a velocidade para combater fogos que, na maior parte das vezes, têm responsabilidade humana. E constatar que, a troco de pouco, ou quase nada, e com equipamentos por vezes deficitários, continuam a fazer “milagres”, mesmo depois de lerem notícias como, “Privados ganham milhões com os incêndios”.
Também convém realçar as preocupantes palavras do Presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, Jaime Marta Soares: “No ano passado, tivemos mais ignições em Portugal do que Espanha e França juntas. Este ano, se calhar, vamos pelo mesmo caminho”.
A justiça tem, obrigatoriamente, de ser mais eficaz e não pode continuar a acarinhar os incendiários. Por sua vez, os políticos têm de ter força e coragem para avançar com medidas para ajudar a resolver os principais problemas, que assentam, como é reconhecido por quase todos, na ausência de prevenção e na falta de ordenamento da floresta.
Uma palavra de solidariedade também para todos aqueles que estão com os nossos bombeiros, no combate a esta praga dos incêndios.
Obrigado, heróis!

Comentário na "Rádio Alto Ave", e jornais "Geresão" e "Notícias de Vieira" (11/09/2016).

quinta-feira, 14 de julho de 2016

ÉPICO!


No país de Platini, sem Cristiano Ronaldo, a partir dos 25 minutos, e um jogador que, enquanto atleta do Adémia, marcava golos a troco de costeletas, inesperadamente fulmina o guarda-redes francês, no prolongamento, e leva a nossa selecção à conquista do seu primeiro título... Podia ser um sonho. Até podia fazer parte de um argumento de um filme, mas aconteceu no Stade de France, a 10 de Julho.
Foi um jogo de muitos nervos. Levantar e sentar da cadeira sempre que Sissoko levantava a relva, roer as unhas sempre que Griezmann olhava para Rui Patrício. Mas, depois de Gignac atirar ao poste, aos 92 minutos, não me restaram dúvidas: “Este troféu vai ser nosso”. Foi uma vitória da garra e da determinação!
Quando Fernando Santos referiu que só vinha no dia 11 de Julho, pensava-se que iria até Cannes, passar uns dias de férias. E quando Eder disse que podia ser o melhor marcador do Euro 2016, eu e milhares de portugueses rimo-nos. Humildemente, peço desculpa ao Eder.
É verdade que Ederzito só marcou um golo (e não foi com a canela), mas foi um tento que jamais esquecerei, e que irei tentar imitar, quando voltar a calçar as chuteiras.
Nos festejos do golo, senti que vários conterrâneos de Astérix e Obélix iam baixar a crista, o que me levou a que ficasse, por instantes, sem um chinelo e em risco de ser admoestado com a cartolina vermelha.
Abraçado a amigos, num bunker, cantamos “A Portuguesa”.
Se a minha filha quiser colocar um poster da Patrulha Pata ou da Heidi, atrás da porta do quarto, primeiro, terá de avaliar a possibilidade de colocar um de Ederzito António Macedo Lopes.
Já tivémos selecções portuguesas a jogar com mais brilho? Quero lá saber! Essas não ganharam nada. Esta selecção foi mais sólida, pragmática e eficaz, e devemos memorizar os nomes dos 24 campeões: Anthony Lopes, Eduardo, Rui Patrício, Cédric, Vieirinha, Bruno Alves, José Fonte, Pepe, Ricardo Carvalho, Eliseu, Raphaël Guerreiro, André Gomes, Adrien, Danilo, João Mário, João Moutinho, William Carvalho, Renato Sanches, Cristiano Ronaldo, Eder, Nani, Quaresma, Rafa e Fernando Santos.
Muitos jogadores foram importantes, em diferentes momentos do Euro 2016, incluindo, obviamente, o jogador nascido na freguesia de Santo António, mas agora vou erguer Fernando Santos.
Há cerca de um ano e meio, o engenheiro foi um dos oradores na conferência “Olhares sobre Cultura”, que decorreu um Braga, e surpreendeu-me pela crença e fé no trabalho que desenvolve. Pouco tempo depois, une uma equipa; provoca explosões de alegria, por exemplo, em Díli, Nampula, Bissau e Rio de Janeiro; regressa, como “prometera”, no dia 11 de Julho, e traz o “caneco” para Portugal.
Fernando Santos, o “nosso” bunker está de portas abertas para o receber.
A Torre Eiffel não se iluminou com as cores da nossa bandeira, após a conquista? Quero lá saber! Quem não gostou da ementa, pode sempre dirigir-se a Lille, daqui a umas semanas, almoça no restaurante Aux Éphérites, visita o Palácio das Belas-Artes e pede um autógrafo a Eder.
C'est la vie!
Consegui, finalmente, sarar uma ferida que tinha, desde 2004.
Au revoir!

Comentário na "Rádio Alto Ave", e jornais "Geresão" e "Notícias de Vieira" (12/07/2016).

terça-feira, 14 de junho de 2016

COPA AMÉRICA, EURO 2016, JOGOS OLÍMPICOS E PARALÍMPICOS


Para quem ama o desporto, os próximos meses serão repletos de grandes emoções.
A Copa América do Centenário em futebol está a decorrer em terras do Tio Sam, e encontra-se a um nível elevado. Se, por um lado, Neymar foi ausência (vai aos Jogos Olímpicos) e Suárez nem “aqueceu”, por outro lado, Messi, Di María, James Rodríguez, Alexis Sánchez, Arturo Vidal, Claudio Bravo, Antonio Valencia e “Chicharito” Hernández mostram que o futebol também é arte, engrandecendo-o.
Realço que escrevo este comentário, poucas horas após o Brasil já ter feito as malas. Dunga não oleou a máquina e será oportuno lançar um provérbio brasileiro: “De nada adianta o vento estar a favor se não se sabe pra onde virar o leme”.
A Argentina apresenta-se como a grande favorita, mas a Colômbia, o Chile, o México e o Equador procuram fazer uma “gracinha”.
Em relação ao Campeonato Europeu de Futebol de 2016, as selecções da Alemanha e Espanha estão na primeira linha de favoritos, com França, Itália e Portugal à espreita. Cristiano Ronaldo, Iniesta, Neuer, Müller, Özil, Ibrahimovic, Bale, Lewandowski, Pogba e Griezmann perfumarão os relvados franceses.
Pagava bilhete, e até arranjava árbitros, para presenciar um choque de titãs, entre os melhores da Copa América e do Euro 2016.
Esquecendo a campanha tacanha de apoio à selecção nacional, que ignora, vá-se lá saber porquê, cerca de 4 milhões de portugueses, anoto “apenas” o meu ligeiro optimismo, numa grande prestação da nossa selecção. Olho para os 23 eleitos de Fernando Santos e verifico que poucos jogadores fizeram uma grande época. O jogador nascido na freguesia de Santo António vai ter mesmo de me fazer saltar da cadeira!
Relativamente aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro, não é respeitável destacar algum atleta luso. Espero que os ventos soprem a favor da nossa comitiva e que os atletas consigam mais “milagres”. Sim, “milagres”! Pedir medalhas a atletas que são miseravelmente apoiados, e pedir medalhas a atletas de um país que ridiculariza o desporto escolar, roça, no mínimo, a insensatez!
No país de Adhemar Ferreira da Silva, os holofotes estarão voltados para dois dos maiores atletas da história do desporto: Michael Phelps e Usain Bolt. Se o “tubarão de Baltimore” promete voltar a atacar, o “relâmpago” só quer estar presente numa “tempestade perfeita”, para bloquear a armada americana.
Serão os últimos Jogos de Phelps e Bolt e, independentemente das prestações que terão no Rio, aqui fica o meu “Obrigado”!
Uma última nota, ainda: apesar de não me ter debruçado sobre o Campeonato do Mundo de Futsal de 2016, que irá decorrer na Colômbia, entre Setembro e Outubro, e sobre o Campeonato do Mundo de Trail, que acontecerá no Parque Nacional Peneda-Gerês, em Outubro, gostaria de fazer, aqui, referência a estes dois eventos, não só pela importância de ambos, como também pelos muitos aficionados que reúnem, pelo mundo fora.

Comentário na "Rádio Alto Ave", e jornais "Geresão" e "Notícias de Vieira" (13/06/2016).

segunda-feira, 23 de maio de 2016

FINALMENTE, O TÚNEL DO MARÃO!

Desde o lançamento da primeira pedra, até à inauguração do Túnel do Marão, Lili Caneças tirou uma “selfie”, ao lado de Jorge Jesus, o Argozelo conseguiu vencer uma Taça da Associação de Futebol de Bragança e, nas Presidenciais, Vitorino Silva conquistou 457 votos, em Rebordosa, concelho de Paredes. Ah, e a empreitada passou por cinco governos e três primeiros-ministros.
Vários acontecimentos (uns mais importantes do que outros) foram decorrendo, ao longo de oito anos, que pareciam intermináveis, e que iam adiando o sonho, principalmente dos transmontanos.
O importante momento, que envolveu o passado dia 7 de Maio, foi tão frenético e excitante que Passos Coelho, que até já foi presidente da Assembleia Municipal de Vila Real, mas que preferiu não estar presente na inauguração, teve uma alucinação e referiu que nunca participou em inaugurações de obras. 
Quem não perdeu uma boa oportunidade, para reagir a Passos, foi o “animal político” José Sócrates, indo de encontro ao que disse Lili Caneças: “Estar vivo é o contrário de estar morto”.
O Túnel do Marão tinha sido uma promessa de campanha de Sócrates, que foi um dos poucos políticos a lutar pela construção do túnel, e apareceu “fresco como uma alface”.
De salientar o quanto foi curioso atestar que o antigo primeiro-ministro socialista consegue ser o centro de todas as atenções, sempre que aparece em público, levando a que os microfones tenham nele o seu destinatário favorito, e fazendo com que António Costa procure, habilmente, fugir aos holofotes. 
Foi uma das inaugurações mais marcantes, na história da região. Uma região pouco desenvolvida, sendo, nomeadamente, esquecida pelo poder central e não, cuidadosamente, valorizada pelo poder local. 
O Marão era um bloqueio ao desenvolvimento de Trás-os-Montes e Alto Douro, e o Túnel do Marão será alternativa a uma estrada com um percurso montanhoso e manchada de sangue - o IP4.
Diminuindo desigualdades, e aconchegando o interior, ao litoral, o túnel sempre traz alguma esperança aos transmontanos. No entanto, 5 665 metros de alcatrão nunca serão a “galinha dos ovos de ouro” de uma região, não resolvendo todos os problemas. Como anotou Manuel Carvalho, no Público: “Para que Trás-os-Montes e o Alto Douro se desenvolvam, [...] vai ser preciso o que tanto tem faltado: ousadia, empenho, perseverança, estratégias e investimentos”.
Para terminar, partilho algumas palavras sentidas de um poeta que tanto se inspirou na Serra do Marão, Teixeira de Pascoaes:

Chegada de Marânus à Montanha

Amo-te, ó Serra, em tudo o que tu és!
Amo-te, desde a rocha que em ti sofre
Ao tojo bravo e à urze tão mesquinha
De que sempre te vestes, porque, enfim,
Tu és grande, e, portanto, pobrezinha!


(Teixeira de Pascoaes, in Marânus) 

Comentário político na "Rádio Alto Ave", e jornais "Geresão" e "Notícias de Vieira".